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NOITE VAZIA

ENCONTRO TIPOS ESTRANHOS

E VELHOS AMIGOS NOTURNOS

QUANDO A RECOLHIDA EMOÇÃO

BUSCA A TRANQUILIDADE DA NOITE

 

TUDO QUE OUÇO, SINTO E VEJO

IMPREGNA-SE EM CADA PALAVRA

MONTANDO OS VERSOS QUE FAÇO PRA LER

ENQUANTO MUDAM AS CORES DOS SINAIS

 

A LUA ME FAZ ESQUECER OS RISCOS

QUE INVADEM NOSSAS VIDAS BREVES

NESSA HORA OS SONHOS GANHAM TRILHAS

E PELO OPOSTO CRUZO OS MESMOS CAMINHOS

 

CHEGO ENFIM MAIS PRÓXIMA DE CASA

ENCOSTO OS CADERNOS EM MEU PEITO

E MESMO COM TANTA MELANCOLIA

DURMO PRA NOITE CAIR OUTRA VEZ

 

 

(Patrícia Basquiat)

 



- Postado por: perséfone às 11h01
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Concentrado de linguagem
Para Alice Ruiz




Momento resumido
vida fotografada (grafada)
Protesto tímido
de sentimento extenso
palavra comprime
exprime
Hoje              não há espaço



Laís Romero

- Postado por: perséfone às 12h44
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Estava eu ouvindo músicas latinas feitas por um francês e cantadas em espanhol.

Amo as diversidades desse mundo maravilhoso...

amo a vida

 

me gustas tu!



- Postado por: perséfone às 12h43
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Insinuante Poesia

Eu quis escrever
no momento errante
da vontade, dá vontade, há vontade...
se é que há vontade.
Se é que há liberdade...
                                  ...de haver inspiração.
  Eu inspiro, inspiro e...
                   ... prendo em mim
o que vem de tão longe,
de tão louco,
e expiro
espirro
jorro no papel
transbordo e vaso, vaso e vaso
pelas frestas da porta que me prende!
                                          Eu ausente!


- Mancha tuas mãos de sangue!
Promoves no papel as tuas vidas!!

Laís Romero



- Postado por: perséfone às 00h12
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Lascívio parado espera
Lascívio devagar me despe
Lascívio me diz:


                 Olha nos meus
                 Toca os meus


            E eu penso
            Não penso.


Estou tonta e digo:
             ... !!!

Laís Romero



- Postado por: perséfone às 00h03
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De quando o amor me entortou


Ontem você me pediu que escrevesse para você, que descrevesse você, que imprimisse você e mostrasse você ao mundo. E eu te disse, e você lembra bem que eu te disse porque eu sempre lhe disse, que tudo que eu escrevo, tudo que eu falo, tudo que eu cheiro, tudo que eu como, tudo que eu bebo, tudo que eu rio, tudo que eu choro, tudo que eu escuto, tudo que eu vejo, tudo que eu morro, tudo que eu caio, tudo que eu cuspo, tudo que eu toco, tudo que eu mordo, tudo que eu esqueço, tudo que eu finjo, tudo que eu debocho, tudo que eu tudo é para você e, mais do que para você, tudo é você. Inclusive eu. Mesmo assim continuo escrevendo você e descrevendo você e imprimindo você e mostrando você apesar de não ser preciso porque eu sou muito mais você do que sou a mim mesmo. É, sou piegas, sou piegas mesmo, piegas assumido e declarado porque acho que amor sem pieguice é confraternização de fim de ano em empresa de consultoria, amor sem pieguice é sonho sem piano ao fundo, amor sem pieguice é criança sem sorriso, amor sem pieguice é balão que esvazia no canto da sala após a festa, amor sem pieguice é mergulho de cabeça em piscina rasa. Ontem você me pediu que escrevesse para você, e aqui estou eu, repetindo e repetindo e repetindo coisas e sons e palavras e imagens, porque não me canso de repetir nada se for para você, não me canso de dizer nada se for para você, não me canso de olhar nada nem de sorrir nada nem de sonhar nada, se tudo for para você. E tem gente que diz que eu repito muito muitas coisas, que eu repito muito muitos versos, que na verdade não são versos porque não é poesia o que eu faço, porque poesia é você e o que escrevo são apenas escritos que me levam a você em noites chuvosas dentro do meu estômago que dói. Pois aí está você. Aqui está você. Porque você é essa repetição boa e permanente dentro de mim, essa lembrança permanente dentro de mim, essa sensação permanente dentro de mim que me diz que nada, nem ninguém, nem coisa nenhuma pode fazer com que você não seja mais nós. Espero que tenha gostado.

André Gonçalves


- Postado por: perséfone às 19h50
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QUEIMEI MINHA LÍNGUA FAZENDO ARTE

A ARTE QUEIMA.

 

lais romero e patrícia basquiat



- Postado por: perséfone às 23h38
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eu falei

falei

cansei

e acabei afogada no meu próprio pranto

deixa pra lá

vivamos.



- Postado por: perséfone às 23h37
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TRATADO DA TEMPESTADE CEREBRAL

 

Faz um tempo que não escrevo...

Um humano disposto a voar. Aonde encontrar alguém com tamanha coragem?Onde procurar? Crescer. Será a resposta para minhas tantas palavras interrogativas?

Um vaso que se quebra. As palavras que se reorganizam. Os cacos que colo em todos os momentos que faltam minhas flores.

 Minhas flores. Saudades de épocas em que não vivi. Dores de épocas em que sobrevivi. Amor a esta vida que vivo. Sim, saudosamente viva. Já tenho pelo que morrer.

Por onde andei palavras repetidas. Sonhos, sonhos, sonhos... Preciso usar minhas pernas enquanto ainda as tenho. Preciso exercitar minhas asas nos meus devaneios mais profundos.

Hoje fiz um desenho no asfalto. Hoje me derramei no asfalto.

Não. Eu não te empresto meu caderno de tolices, e não devolvo tua imaturidade...

Sonífera, devaneio...

Talvez apenas um escape. Talvez apenas mais um talvez escrito.

Não saio desse mesmo mote: metalinguagem. Metalinguagem que se derrama numa fotografia louca de minhas retinas. O que meu olho reflete. O que meu ser mais sente. Ressente. Reflete. Pressente. Meus dez sentidos.

Os sentimentos do mundo.

Mais duas folhas. Mais milhares de reticências. E um enorme ponto de interrogação nos próximos minutos.

A esperança do ser humano me encanta. A fé de que há um amanhã me comove.

Vivemos na noite escura. Assim como crianças pedindo pela mãe no mais íntimo,... No âmago do amargo âmago.

Sim. Ela diz palavras e escreve muitas outras que parecem ser destinadas ao futuro.

Ela guarda nestas folhas o que aguarda. Ela tem sim a esperançada espera do humano. A ânsia de infinito a domina. Humana demais. Até mesmo doente ou patética.

Quero não falar de mim.

O que me intriga e me atrai. Meu ventre se retrai. Contrai.

Encontrai o teu caminho moça bonita, o amanhã pega fogo e as maçanetas das portas logo ficarão muito quentes para que tu abras. Corre garota. A dor é muito mais produtiva que o sorriso. È na dor que tu encontras inspiração.

Mas que dor inominável é essa?

De onde vem?

A dor de ser humano. Ser humano: Meio doença, meio profundo. Quase cheio. Meio vazio. Meio fechado. Meio aberto. Meio a meio nesse meio ambiente escroto. Nessa escuridão mundana que anos, séculos e tijolos ou livros empoeirados esmagam numa penumbra de fumaça nociva e doente. Meio doente. Doentio.

Acorde! O amanhã. O infinito. È pior que pensar no infinito. Talvez... Talvez...

Fiz um desenho no asfalto.

Os olhos.

                Aos teus olhos distraídos. 

 

 

 

 

Laís Romero



- Postado por: perséfone às 09h43
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O Tempo

As vidraças todas quebradas
Os sonhos esquecidos
As vitórias arrasadas
O viver já por vivido
Os amigos enternecidos
As conquistas distanciadas
O sorriso amarelado
As promessas enterradas
E agora?
O desespero bateu
Lágrimas correram
Braços enterneceram
E o pior aconteceu
Os punhos cerrados
Os lábios secos
Os olhos assustados
Mais nada o abateu

Nenhuma vidraça
Nenhuma vitória falsa
Nenhum homem nem mulher
NADA!


- Postado por: perséfone às 15h04
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o desaviso da poesia

MAS EU AMO SER ASSIM DESAVISADA

NO CONTEXTO DA PALAVRA OPORTUNISTA

QUE INVADE O PENSAMENTO DO POETA

MAS EU QUERO SER ASSIM DESCOMPROMISSO

CAPTURO A PALAVRA SEM AVISO

PLANTO E INPLANTO O VERSO FEITO

CAPTURO NA ESSÊNCIA, A MATRIZ

NO MOMENTO MAIS AUDAZ A DOR SENTIDA

E CARREGO EM MINH'ALMA CADA SOM,

GESTO, PALAVRA E RIMA.

 



- Postado por: perséfone às 22h08
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ah sim.

ah sim

poder sentir e tocar

a lua imagino no meu infinito

particular

ah sim

o sempre me convida

numa loucura desnecessária, cruel fascínio

a roda gira e eu me deparo

me deparo e derrapo sempre na mesma curva

ah sim

eu que não queria escrever poesia pra viver

eu que não vivo sem escrever poesia.



- Postado por: perséfone às 23h58
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dia difícil, ser humano difícil

sim eu sou um ser humano extremamente difícil...de se resolver (consigo mesmo) e de se resolver como um problema de matemática.Sou bastante difícil, tão complicada quanto estes fios dentro do computador...talvez menos ou mais. Sou tão assim que estou achando nesse exato instante uma besteira eu ficar divagando sobre a minha dificulta existência.E x i s t ê n c i a , lembra algo tenso, muito tenso, extremamente tenso. Uma loucura essas palavras chatas,................aaaaaaaaaaaaaaaaaa sei lá



- Postado por: perséfone às 15h33
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Ah é...

ainda tenho uma vaguinha no conturbado dia-a-dia que adia a vida vadia....

Ainda tenho uns três minutos amalucados de solidão metafórica e metalingüística, momentos assim surreais que me fazem sublimar em sonhos e cores as músicas que ouço.

Ainda pouco fui à um concerto...por assim dizer... de violões. Um momento de van gogh em minha mente se instalou, e eu ví imagens semelhantes às suas pinceladas se movendo com dor e intensidade ao som de mãos ágeis e competentes que traçavam os caminhos sinuosos e matemáticos de partituras mentais.

Partituras partidas, mentais e anormais desfilaram em meus ouvidos numa noite sublime, coroada por um amigo bêbado, um desses perdoados por boas gargalhadas perante suas manobras fugidias e galhofeiras em relação à vida.

Eu fui assim...meio que fugida de minhas realidades e voltei mulher completa...com os olhos levantados e seguindo em frente.

Fugir é bom quando se volta melhor. Eu acho.



- Postado por: perséfone às 22h34
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Incenso Fosse Música
(paulo leminski)

isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

 

Talvez que eu esteja estrela achando que minhas letras são uma diarréia estética. Ainda bem...nunca gostei de estar no gosto alheio...

siceridade,...me mostro, como sou...decomposição puramente abalada e carregada de sentimentos.



- Postado por: perséfone às 23h11
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