



ENCONTRO TIPOS ESTRANHOS
E VELHOS AMIGOS NOTURNOS
QUANDO A RECOLHIDA EMOÇÃO
BUSCA A TRANQUILIDADE DA NOITE
TUDO QUE OUÇO, SINTO E VEJO
IMPREGNA-SE
MONTANDO OS VERSOS QUE FAÇO PRA LER
ENQUANTO MUDAM AS CORES DOS SINAIS
A LUA ME FAZ ESQUECER OS RISCOS
QUE INVADEM NOSSAS VIDAS BREVES
NESSA HORA OS SONHOS GANHAM TRILHAS
E PELO OPOSTO CRUZO OS MESMOS CAMINHOS
CHEGO ENFIM MAIS PRÓXIMA DE CASA
ENCOSTO OS CADERNOS
E MESMO COM TANTA MELANCOLIA
DURMO PRA NOITE CAIR OUTRA VEZ
(Patrícia Basquiat)
Estava eu ouvindo músicas latinas feitas por um francês e cantadas em espanhol.
Amo as diversidades desse mundo maravilhoso...
amo a vida
me gustas tu!
Eu quis escrever
no momento errante
da vontade, dá vontade, há vontade...
se é que há vontade.
Se é que há liberdade...
...de haver inspiração.
Eu inspiro, inspiro e...
... prendo em mim
o que vem de tão longe,
de tão louco,
e expiro
espirro
jorro no papel
transbordo e vaso, vaso e vaso
pelas frestas da porta que me prende!
Eu ausente!
- Mancha tuas mãos de sangue!
Promoves no papel as tuas vidas!!
Laís Romero
Lascívio parado espera
Lascívio devagar me despe
Lascívio me diz:
Olha nos meus
Toca os meus
E eu penso
Não penso.
Estou tonta e digo:
... !!!
Laís Romero
Ontem você me pediu que escrevesse para você, que descrevesse você, que imprimisse você e mostrasse você ao mundo. E eu te disse, e você lembra bem que eu te disse porque eu sempre lhe disse, que tudo que eu escrevo, tudo que eu falo, tudo que eu cheiro, tudo que eu como, tudo que eu bebo, tudo que eu rio, tudo que eu choro, tudo que eu escuto, tudo que eu vejo, tudo que eu morro, tudo que eu caio, tudo que eu cuspo, tudo que eu toco, tudo que eu mordo, tudo que eu esqueço, tudo que eu finjo, tudo que eu debocho, tudo que eu tudo é para você e, mais do que para você, tudo é você. Inclusive eu. Mesmo assim continuo escrevendo você e descrevendo você e imprimindo você e mostrando você apesar de não ser preciso porque eu sou muito mais você do que sou a mim mesmo. É, sou piegas, sou piegas mesmo, piegas assumido e declarado porque acho que amor sem pieguice é confraternização de fim de ano em empresa de consultoria, amor sem pieguice é sonho sem piano ao fundo, amor sem pieguice é criança sem sorriso, amor sem pieguice é balão que esvazia no canto da sala após a festa, amor sem pieguice é mergulho de cabeça em piscina rasa. Ontem você me pediu que escrevesse para você, e aqui estou eu, repetindo e repetindo e repetindo coisas e sons e palavras e imagens, porque não me canso de repetir nada se for para você, não me canso de dizer nada se for para você, não me canso de olhar nada nem de sorrir nada nem de sonhar nada, se tudo for para você. E tem gente que diz que eu repito muito muitas coisas, que eu repito muito muitos versos, que na verdade não são versos porque não é poesia o que eu faço, porque poesia é você e o que escrevo são apenas escritos que me levam a você em noites chuvosas dentro do meu estômago que dói. Pois aí está você. Aqui está você. Porque você é essa repetição boa e permanente dentro de mim, essa lembrança permanente dentro de mim, essa sensação permanente dentro de mim que me diz que nada, nem ninguém, nem coisa nenhuma pode fazer com que você não seja mais nós. Espero que tenha gostado.
QUEIMEI MINHA LÍNGUA FAZENDO ARTE
A ARTE QUEIMA.
lais romero e patrícia basquiat
eu falei
falei
cansei
e acabei afogada no meu próprio pranto
deixa pra lá
vivamos.
TRATADO DA TEMPESTADE CEREBRAL
Faz um tempo que não escrevo...
Um humano disposto a voar. Aonde encontrar alguém com tamanha coragem?Onde procurar? Crescer. Será a resposta para minhas tantas palavras interrogativas?
Um vaso que se quebra. As palavras que se reorganizam. Os cacos que colo em todos os momentos que faltam minhas flores.
Minhas flores. Saudades de épocas em que não vivi. Dores de épocas em que sobrevivi. Amor a esta vida que vivo. Sim, saudosamente viva. Já tenho pelo que morrer.
Por onde andei palavras repetidas. Sonhos, sonhos, sonhos... Preciso usar minhas pernas enquanto ainda as tenho. Preciso exercitar minhas asas nos meus devaneios mais profundos.
Hoje fiz um desenho no asfalto. Hoje me derramei no asfalto.
Não. Eu não te empresto meu caderno de tolices, e não devolvo tua imaturidade...
Sonífera, devaneio...
Talvez apenas um escape. Talvez apenas mais um talvez escrito.
Não saio desse mesmo mote: metalinguagem. Metalinguagem que se derrama numa fotografia louca de minhas retinas. O que meu olho reflete. O que meu ser mais sente. Ressente. Reflete. Pressente. Meus dez sentidos.
Os sentimentos do mundo.
Mais duas folhas. Mais milhares de reticências. E um enorme ponto de interrogação nos próximos minutos.
A esperança do ser humano me encanta. A fé de que há um amanhã me comove.
Vivemos na noite escura. Assim como crianças pedindo pela mãe no mais íntimo,... No âmago do amargo âmago.
Sim. Ela diz palavras e escreve muitas outras que parecem ser destinadas ao futuro.
Ela guarda nestas folhas o que aguarda. Ela tem sim a esperançada espera do humano. A ânsia de infinito a domina. Humana demais. Até mesmo doente ou patética.
Quero não falar de mim.
O que me intriga e me atrai. Meu ventre se retrai. Contrai.
Encontrai o teu caminho moça bonita, o amanhã pega fogo e as maçanetas das portas logo ficarão muito quentes para que tu abras. Corre garota. A dor é muito mais produtiva que o sorriso. È na dor que tu encontras inspiração.
Mas que dor inominável é essa?
De onde vem?
A dor de ser humano. Ser humano: Meio doença, meio profundo. Quase cheio. Meio vazio. Meio fechado. Meio aberto. Meio a meio nesse meio ambiente escroto. Nessa escuridão mundana que anos, séculos e tijolos ou livros empoeirados esmagam numa penumbra de fumaça nociva e doente. Meio doente. Doentio.
Acorde! O amanhã. O infinito. È pior que pensar no infinito. Talvez... Talvez...
Fiz um desenho no asfalto.
Os olhos.
Aos teus olhos distraídos.
Laís Romero
MAS EU AMO SER ASSIM DESAVISADA
NO CONTEXTO DA PALAVRA OPORTUNISTA
QUE INVADE O PENSAMENTO DO POETA
MAS EU QUERO SER ASSIM DESCOMPROMISSO
CAPTURO A PALAVRA SEM AVISO
PLANTO E INPLANTO O VERSO FEITO
CAPTURO NA ESSÊNCIA, A MATRIZ
NO MOMENTO MAIS AUDAZ A DOR SENTIDA
E CARREGO EM MINH'ALMA CADA SOM,
GESTO, PALAVRA E RIMA.
ah sim
poder sentir e tocar
a lua imagino no meu infinito
particular
ah sim
o sempre me convida
numa loucura desnecessária, cruel fascínio
a roda gira e eu me deparo
me deparo e derrapo sempre na mesma curva
ah sim
eu que não queria escrever poesia pra viver
eu que não vivo sem escrever poesia.
sim eu sou um ser humano extremamente difícil...de se resolver (consigo mesmo) e de se resolver como um problema de matemática.Sou bastante difícil, tão complicada quanto estes fios dentro do computador...talvez menos ou mais. Sou tão assim que estou achando nesse exato instante uma besteira eu ficar divagando sobre a minha dificulta existência.E x i s t ê n c i a , lembra algo tenso, muito tenso, extremamente tenso. Uma loucura essas palavras chatas,................aaaaaaaaaaaaaaaaaa sei lá
Ah é...
ainda tenho uma vaguinha no conturbado dia-a-dia que adia a vida vadia....
Ainda tenho uns três minutos amalucados de solidão metafórica e metalingüística, momentos assim surreais que me fazem sublimar em sonhos e cores as músicas que ouço.
Ainda pouco fui à um concerto...por assim dizer... de violões. Um momento de van gogh em minha mente se instalou, e eu ví imagens semelhantes às suas pinceladas se movendo com dor e intensidade ao som de mãos ágeis e competentes que traçavam os caminhos sinuosos e matemáticos de partituras mentais.
Partituras partidas, mentais e anormais desfilaram em meus ouvidos numa noite sublime, coroada por um amigo bêbado, um desses perdoados por boas gargalhadas perante suas manobras fugidias e galhofeiras em relação à vida.
Eu fui assim...meio que fugida de minhas realidades e voltei mulher completa...com os olhos levantados e seguindo em frente.
Fugir é bom quando se volta melhor. Eu acho.
Incenso Fosse Música
(paulo leminski)
isso de querer
ser exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além
Talvez que eu esteja estrela achando que minhas letras são uma diarréia estética. Ainda bem...nunca gostei de estar no gosto alheio...
siceridade,...me mostro, como sou...decomposição puramente abalada e carregada de sentimentos.